Key West: Dirija sobre o mar em uma das estradas mais incríveis do mundo

Imagine dirigir por uma estrada que é quase toda por cima do mar. Conheça as ilhas, dirija até Key West e desfrute de uma das estradas mais fantásticas do mundo.

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Key West: Dirija sobre o mar em uma das estradas mais incríveis do mundo

Ela não é tão badalada quanto a Rota 66 ou a Highway 1, mas poucas estradas americanas são mais bonitas que a US-1, no sul da Flórida. 

Na parte oceânica entre Key Largo e Key West, a via passa por 42 pontes e 34 ilhas (as keys), ladeada pelo mar azul-caribe do Oceano Atlântico e do Golfo do México. 

Aqui você aluga um carro em Miami e percorre o arquipélago ao sabor do vento, com reservas naturais no caminho, passeios de caiaque, pontos de mergulho, resorts e muita torta de limão. 

O ponto final do passeio, a 256 quilômetros de Miami, é Key West, distribuída por ruas tão floridas quanto a alma de seus moradores. 

Não foram poucos os daiquiris que Ernest Hemingway entornou na ilha, lar do escritor entre 1928 e 1938 e de onde partia para pescar nas águas de Cuba. 

Primeira parada: Key Largo 

Cerca de 30 minutos após entrar na US-1 South, que passa no coração de Miami, surgem as placas indicativas das milhas (mile markers, ou MM), em ordem decrescente, do número 127, no sul de Florida City (ainda no continente), até seu marco zero, em Key West, no sudoeste do arquipélago. 

Ao chegar ao trecho oceânico, a rodovia ganha o nome de Overseas Highway, criando uma rabiola de ilhas conectadas por pontes. 

No MM 102,5, o John Pennekamp Coral Reef State Park promove saídas de mergulho e snorkelling e tem um barco com casco envidraçado que permite a observação do fundo do mar. 

Para uma imersão mais realista, o Key Largo Undersea Park ministra aulas de mergulho desde US$ 175, mas se notabilizou por manter o único hotel subaquático de que se tem notícia, o Jule’s Undersea Lodge, 9 metros abaixo da Laguna Emerald.

Para entrar no lodge, é necessário mergulhar. Dentro do habitáculo com apenas dois quartos, os hóspedes encontram chuveiro quente, cozinha, som, TV e uma janela com vista para a vida marinha. 

Vencida a claustrofobia, os clientes ficam quantos dias quiserem no Jule’s. Na superfície, Key Largo revela-se um aperitivo do pacato way of life das keys, onde você será tratado como habitué mesmo sem nunca ter pisado naqueles confins. 

Sinta essa vibe no Alabama Jack’s, que reúne de aposentados a pescadores e serve o crab cake, preparado com o caranguejo-azul da região.

Islamorada

Depois de Key Largo, com o mar ainda escondido pelo comércio de beira de estrada, o turismo ganha contornos sofisticados em Islamorada e sua hotelaria upscale. 

No Cheeca Lodge & Spa, por exemplo, cores e estampas tropicais conferem elegância a quartos espaçosos, recheados de mobília de qualidade e TVs de tela grande. 

Restaurantes, bares e um campo de golfe desenhado pelo lendário Jack Nicklaus são outros atributos, complementados por um mar de tons caribenhos, apesar da praia artificial (regra nos resorts de Isla). 

Se o seu budget não comportar a estadia ou Islamorada for apenas uma escala na viagem a Key West, considere uma parada no Cheeca por sua afamada torta de limão. A iguaria, quase uma mania nas keys, é encontrada em toda a US-1 – nunca com a mesma receita.

Chamada de key lime pie, a guloseima leva o suco de um limão pequeno e de casca amarelada, diferente do encontrado no resto dos Estados Unidos. Antes abundante nas ilhas da Flórida, hoje ele é importado do México. 

De volta às hospedagens, o Casa Morada é uma opção mais descolada e intimista, com decoração clean, atmosfera de pousada e apenas 16 quartos. 

Com um mar superpovoado de peixes de grande porte, Islamorada intitula-se a capital mundial da pesca esportiva. 

O grande troféu daquelas águas é o marlim-azul, que briga durante horas antes de sucumbir ao pescador (que o diga O Velho e o Mar, romance imortal de Ernest Hemingway). 

Somente às margens da US-1, são mais de 50 empresas especializadas em levar visitantes para pescar em alto-mar. Para ter uma ideia, há um portal na internet exclusivamente para as operadoras divulgarem suas expedições, de algumas horas até cinco dias. 

In loco, nas bait and tackle shops (lojas de pesca e náutica), você se informa sobre as saídas dos barcos, os preços e as modalidades de trips. 

Para provar um peixinho fresco sem precisar pescá-lo, vá ao Lorelei Cabana Bar, um agradável restaurante pé na areia, com deque sobre o mar, música ao vivo no pôr do sol e comida caprichada. 

No MM 84,5 localiza-se uma atração que justifica o clichê “para adultos e crianças”, o Theater of The Sea, com shows de golfinhos e leões-marinhos. 

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Marathon

Na metade do percurso da Overseas, na chamada região das Middle Keys, o mar escancara-se às margens da rodovia, e a sensação do motorista, enfim, é de estar pulando de uma ilha para outra. 

Pouco antes de Marathon, Grassy Key tem outro famoso parque temático, o Dolphin Research Center, que abrigou e treinou nada menos que o golfinho Mitzi, o famoso Flipper do cinema. 

Das 9h às 16h30, o Dolphin exibe desde as clássicas peripécias desses mamíferos até sessões que mostram curiosidades sobre golfinhos e leões-marinhos. 

Para nadar ao lado dos golfinhos e comandá-los em tarefas ensinadas, há programas como o Dolphin Encounter, um campeão de público que requer reserva com seis meses de antecedência.

Polo de serviços, Marathon é uma sequência de caixotes comerciais e redes de fast-food, mas revela-se menos turística do que parece: por ali há mais ilhéus de quatro costados que forasteiros. 

O restaurante Wooden Spoon  é o tipo de lugar em que os nativos madrugam para tomar o café da manhã antes de um dia de pescaria. Sua torta de limão, ela de novo, leva um creme gelado no recheio e arranca suspiros. 

Bahia Honda E Big Pine Key 

Pouco depois de cruzar a Seven Mile Bridge, maior e mais famosa ponte da Overseas, Bahia Honda surpreende. O mar das keys, vale repetir, tem as cores do Caribe, mas as praias, muitas delas artificiais, não primam pela beleza. Isso até Bahia Honda. 

Estrela maior do parque estadual homônimo, a praia tem longa faixa de areia branquinha, rica vegetação e mar de águas transparentes.

Para navegar nos trechos mais plácidos da baía – e de outras praias, manguezais e maravilhas naturais das keys agende um passeio guiado na Marathon Kayak, em Marathon. 

A seguir, Big Pine Key abriga algumas das mais importantes áreas de conservação do sul da Flórida, como os manguezais de Coupon Bight, onde vivem diversas espécies de aves.

Para conhecer a área, o jeito clássico é, novamente, a trip de caiaque, operada por empresas como a Big Pine Kayak Adventures, que também faz passeios à Bahia Honda. 

Com acesso meia milha à frente, o National Key Deer Refuge  é um santuário de proteção do key deer, um pequeno veado endêmico ameaçado de extinção mas que circula até pelos jardins residenciais de Big Pine. 

Em Ramrod Key, o Looke Key Dive Center promove saídas de mergulho e snorkelling em um banco de corais com muita vida marinha. 

Se você curtir o pedaço mais preservado e selvagem das keys, pode prolongar a estada no romântico e exclusivo Little Palm Island, em Little Torch Key. 

Última parada: Key West

Ao chegar a Key West, há quem vá direto para South Beach, um minúsculo pedaço de areia branca e água transparente, mas a maioria dos turistas começa a visita no Conch Tour, um trenzinho amarelo puxado por um jipe disfarçado de locomotiva. 

Para os visitantes hospedados na cidade, o meio tradicional de explorar Old Town, o bairro mais interessante de Key West, é de bike, que pode ser alugada a partir de 10 dólares a diária. Opções de aluguel semanal e mensal. 

Eu preferi caminhar. As ruas são planas e vale andar devagar para curtir os detalhes das casas pintadas de branco, com cadeiras de balanço na varanda, jardins floridos e calçadas cheias de flamboyant. 

Meu primeiro destino foi o Banana Café, que não só serve crepes famosos como fica na rua mais movimentada do centrinho de Key West. 

Mal passava do meio-dia e já tinha cerveja e música ao vivo nos bares, como o Sloppy Joe’s, instalado poucas quadras adiante do endereço original, onde o escritor Ernest Hemingway batia cartão. 

O bar sedia em julho o Annual Hemingway Look-Alike Contest (Competição Anual de Sósias de Hemingway), que já está em sua 41ª edição. 

Depois do almoço, peguei a Whitehead Street em direção à casa onde, nos anos 30, viveu o próprio escritor – um sujeito que, além do Nobel de Literatura de 1954, merecia ter levado um prêmio pelo bom gosto dos lugares que escolheu para morar. 

Transformados no Hemingway Home & Museum, sala, quarto, escritório, cozinha e banheiro podem ser conhecidos num giro rápido, mas o jardim, que exibe a primeira piscina construída na cidade, merece contemplação. 

Pouco mais adiante, na mesma rua, fica outro jardim sensacional: o da Audubon House, onde a sombra das plantas tropicais ajuda a amenizar o calorão da ilha. 

Para lembrar que você, afinal, está cercado de água, faça o passeio de caiaque da Lazy Dog pelas águas límpidas da costa e, logo a seguir, passe boas horas no bar de praia Salute on The Beach.

Assunto seriíssimo em Key West, o pôr do sol ganha status de espetáculo na Mallory Square, ponto de encontro de moradores, turistas, malabaristas e ambulantes para celebrar o fim do dia. 

Key West fica na porta de entrada do Caribe, a cerca de 150 km de Cuba, como anuncia um marco de concreto na esquina das ruas Whitehead e South, monumento também à autoproclamada Conch Republic, ou República da Concha, uma falsa nação criada na cidade em 1982 e que até hoje ajuda a promover o comércio local de suvenires.

Personalíssima, a ilha é conhecida por seu jeito cafona mas caloroso de ser, com as casas vitorianas a enfeitar um pluralismo de raças, credos e, notadamente, orientações sexuais. A atmosfera gay friendly é tão espontânea que fez dos shows de drag queens do Hotel La Te Da um patrimônio local. 

O espírito libertário também criou uma cena artística na ilha, em lugares como a Lucky Street Gallery e o Studios of Key West, que reúne gente como o funcionário que lhe alugou a bicicleta na cidade e sedia exposições, cursos e workshops.

À noite, o restaurante Nine One Five é uma das boas opções da Duval, tanto por suas receitas de inspiração asiática quanto pela agradável varanda.

Também na Old Town, o Michaels prepara bons pratos de pescados. Entre as dicas de hospedagem, o Alexander’s Guest House  é um estiloso bed and breakfast straight friendly, já que o público predominante é GLS, enquanto o Casa Key West sobressai pelo conforto. 

Ah, a torta de limão! 

No Pepe’s, a base crocante e a cobertura repleta de um creme delicioso vão deixar uma recordação saborosa da viagem. 

Como percorrer a US-1 e chegar à Key West

O jeito ideal de explorar a Rodovia US-1 e aproveitar as atrações do caminho, sem pressa, durante três ou quatro dias, é em um carro alugado

Você pode alugar seu carro aqui. Diárias no aeroporto de Miami a partir de R$100. 

Para quem está em Miami, dispõe de pouco tempo e quer conhecer a Overseas sem dirigir, pode percorrê-la em ônibus de excursão e voltar no mesmo dia.

us-1 estrada sobre o mar até key west

Contrate aqui sua excursão até Key West.

Os ônibus chegam ao centro de Key West por volta das 11h30 e retornam às 17h30.

Essas 6 horas na ilha são suficientes para conhecer o centrinho. 

Para quem preferir voar direto entre Miami e Key West, a American Airlines tem diversas saídas diárias ligando as duas cidades, mas neste caso você vai perder a incrível viagem pela rodovia US 1.

Natureza selvagem pela US-1

Biscayne National Park 

A 74 km de Miami, ao sul de Miami, a leste de Homestead e com acesso fácil pela US-1, o Biscayne National Park  é uma área de preservação formada por nada menos que 95% de água. 

Entre florestas de mangues, praias e baías, seu ecossistema aquático abriga ricos bancos de corais e espécies como tartarugas e peixes-boi-marinhos. 

A Biscayne National Underwater Park, baseada em Homestead, organiza saídas de snorkeling e passeios de canoa, caiaque e barco com casco de vidro que permite a observação da riqueza do fundo do mar em detalhes.

 

Everglades National Park 

A 68 km de Miami, a imagem do pântano coalhado de crocodilos não diz tudo sobre a exuberância de Everglades

Habitado por mais de 350 espécies de aves e 50 de répteis, o parque abriga aqueles biomas nos quais os nutrientes da água sustentam um mosquito, que alimenta um sapo, que vira janta de jacaré. 

Contrate aqui seu passeio para o Everglades National Park.

Embora os airboats típicos ainda sejam usados pelos visitantes, caminhadas, pedaladas e passeios de canoa preservam o silêncio ideal para se observar a vida selvagem (confira os tours no site do parque). 

O principal centro de visitação, em Homestead, tem fácil acesso por Florida City, onde começam os mile markers da US-1. 

Gostou do artigo sobre a viagem pela US-1 até Key West? Já está planejando uma viagem para lá?

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